domingo, 30 de outubro de 2011

Da xícara para o salão: a transformação do café em cosméticos é premiada pela ONU

Vanessa Vilela transformou café em cosméticos e foi eleita uma das 10 melhores emprendedoras do mundo pela ONU

QUEM É > Vanessa Vilela, 33 anos, farmacêutica, bioquímica e fundadora da Kapeh
O QUE FAZ > Produz cosméticos à base de café

      A mineira Vanessa Vilela, de Três Pontas, uniu a imagem das plantações de café no sul de Minas em sua memória ao fascínio pela cosmética para germinar a ideia de montar uma empresa original, em 2007. “Nós estamos na maior região produtora de café do mundo. Então, por que, além de tomar um cafezinho, também não usar o extrato do grão na versão creme, xampu ou sabonete?”, diz. “O café tem alta concentração de substâncias antioxidantes. Elas combatem os radicais livres, que são os causadores do envelhecimento da pele.”

      Antes do primeiro lançamento, ela dedicou três anos à pesquisa e ao desenvolvimento dos cosméticos. Hoje, a linha coleciona 33 itens – que incluem spray para ambientes, xampu, gel e água com aroma da flor do café. É da fazenda de seu marido que saem as cerca de 40 toneladas de grãos usados na produção dos cosméticos.

      Casada há sete anos, Vanessa adiou, pelo menos por enquanto, o projeto da maternidade para se dedicar integralmente à Kapeh (palavra que significa “café” no dialeto maia ainda falado em países como a Guatemala).

      O modelo de negócios da empresa de Vanessa tem as parcerias e a terceirização de serviços e de operações como pilares estratégicos. “Montar uma estrutura física, com investimentos altos em maquinários e funcionários, naquele primeiro momento, não seria interessante”, afirma. Assim, foi possível montar a empresa com um investimento inicial de R$ 300 mil, em 2007. Os cosméticos são vendidos atualmente em lojas multimarcas, perfumarias, spas urbanos, farmácias e cafeterias. A primeira loja própria da marca deve ser inaugurada até o fim do ano.

      Desde os primeiros passos, Vanessa estruturou a empresa para atender ao mercado externo. Os clientes de fora consomem 5% da produção. “A crise atrapalhou um pouco nossos planos, mas já estamos retomando a exportação”, diz. Ela aposta que, assim como nosso cafezinho conquistou o mundo, o café em forma de xampu e cremes também vai seguir o mesmo caminho. Por enquanto, Holanda, Portugal, Estados Unidos e Emirados Árabes já estão colocando o café de Três Pontas na cabeça e no corpo.

    Vanessa ficou entre as dez finalistas do prêmio bianual Women in Business Awards 2010, promovido pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A premiação aconteceu em Genebra (Suíça), em abril do ano passado. A vencedora foi Beatrice Ayuru Bvaruhanga, de Uganda, que atua na área de educação. Entre as finalistas, estavam Olga Arean, da Argentina (que trabalha com produtos e processos de preservação artística, fotográfica e documental), Joy Simakane, de Botsuana (que montou uma empresa de desembaraço aduaneiro), Maria Klein, do Chile (na área de biotecnologia), Guenet Azmach, da Etiópia (moda), Lucia Desir, da Guiana (importações e exportações), Lina Hundaileh, da Jordânia (chocolates e doces), e Lilian Okoro, da Nigéria. Em agosto, a Kapeh faturou também o Prêmio Nacional de Inovação, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).



2 comentários:

  1. Thays, o café é sempre um sucesso. Seja com leite ou no xampú... bj

    ResponderExcluir
  2. É por isso que eu amo tanto ele, Anna!!!!

    ResponderExcluir